O crime perfeito

Somos suspeitos de um crime perfeito, mas crimes perfeitos não deixam suspeitos…
(Pra ser sincero – Engenheiros do Hawaii)

Como amo, vivo e respiro música, devo ter uma trilha sonora para cada dia, cada momento.

Sim, somos suspeitas de um crime perfeito, mas como bem diz essa obra de arte do Humberto Gessinger, crimes perfeitos não deixam suspeitos.

Cometemos o crime perfeito de entregarmos nosso coração uma à outra, nos abrirmos a uma realidade pura, franca, verdadeira e incalculavelmente perigosa na qual nós duas resolvemos dar uma de cair de cabeça (sem capacete), adentrar a cada novo segundo em nosso infinito particular. Dentro de cada infinito particular nossos caminhos se cruzaram, as mãos se entrelaçaram e beijos mais do que esperados aconteceram de maneira imprevisível quando não havia mais jeito.

Particularmente cometi o crime perfeito de ser tão fria a ponto de fazer a outra parte crer que dentro de mim não existia nada além de desejos carnais, sentimentos muitíssimo bem mascarados até pelos meus olhos incansáveis de buscar encontrar seu coração que ficou totalmente em alfa.

Assim atingi meu ômega, meu momento mais cruel, que foi quando chorei em sua frente. Quando vi que tinha perdido a batalha que aceitei travar pelo amor que transbordava em meu coração. Náuseas de mim mesma por ter fraquejado em sua presença com a sensação de um nunca mais escancarado.

Foi uma batalha aceita por opção pelas duas partes, foram riscos assumidos em conjunto. Riscos assumidos e uma corda que arrebentou, não pelo lado do mais fraco (não houve fracos ao meu ver), mas pela coerência da existência de uma comodidade visível. Não sei ser cômoda e nem aceitar comodidade, talvez isso me gere surtos monstruosos ao ver pessoas não terem coragem de sair do marasmo.

Creio eu ser mais fácil inexistir para não sentir e deixar as ondas levarem o que não pode ser tocado com as mãos. Ao negarmos nossa própria existência tenho em mim a significância da ausência total de sentimentos por medo do que pode vir. Medo de viver algo novo e de encarar o desconhecido, a ausência de si para esquecer o nós – a verdadeira essência do relacionamento humano, seja ele qual for -.

Com isso tive a certeza de que não inexisti e/ou inexisto. Eu choro, eu sangro, eu pulso. Assumo o comando de mim novamente para não me abater e ainda sinto inúmeras vezes umas pontadas dentro de mim quando sinto sua presença que tem se transformado em necessidade aqui dentro de mim, a necessidade de querer vê-la e tê-la não apenas como amiga.

Pra ser sincero eu não espero de você mais do que educação…

Apesar de tanto doer é a mais dura realidade.

Para esse crime verdadeiramente traçado com frieza teve um castigo, um duro castigo que me tirou do prumo totalmente. E talvez assuma, pela primeira vez em meu jeito de cabeça-dura, que não remarei contra a maré, me deixarei levar pela marola feita pela cachoeira onde lavei minha alma. É lá que ficam meus bens e meus males, o que eu tive, tenho e um dia poderia / poderei ter.

Que Oxum me dê serenidade para agir de forma consciente e equilibrada.

Tal como suas águas doces – que seguem desbravadoras no curso de um rio,
entrecortando pedras e se precipitando numa cachoeira,
sem parar nem ter como voltar atrás, apenas seguindo para encontrar o mar
– assim seja que eu possa lutar por um objetivo sem arrependimentos.

Ora Ye Yêo Oxum!

oxum

E eu vi Mamãe Oxum na cachoeira, ela me abraçou e disse que após a tempestade o arco-íris sempre aparece.

E…

Um dia desses,
Num desses encontros casuais
Talvez eu diga, minha amiga,
Pra ser sincero, prazer em vê-la,
Até mais…

Filho de surto

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